quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

PET INDICA – Música para Camaleões


A primeira edição de Música para Camaleões (no original: Music for Chameleons) foi lançada em 1980, nos Estados Unidos, pelo autor norte-americano Truman Capote. Neste livro, o escritor apresenta quatorze narrativas, pequenos ‘romances de não ficção’ (termo cunhado pelo mesmo para classificar In Cold Blood, ou A Sangue Frio - seu livro mais célebre), que retratam acontecimentos variados e vivenciados, de 1955 a 1979, por ele, colegas anônimos e personalidades conhecidas, como o assassino Robert Beausoleil (envolvido no caso Tate-LaBianca), a escritora Willa Cather e a atriz Marylin Monroe. Nestes ‘romances’ curtos estão condensadas as principais qualidades da literatura de Capote, dentre elas: os enredos ágeis e envolventes; o plano obscuro em que são expostas algumas das personagens; os diálogos honestos e, por vezes, muito divertidos. Uma boa opção de leitura para as férias!

- Afonso Barroso, bolsista do PET – Literatura no RN.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

PET INDICA - Ensaio Sobre a Cegueira


O famoso livro de José Saramago conta a história de uma cidade atingida por uma cegueira branca, que de um primeiro cego, logo se espalha de forma incontrolável e se torna uma epidemia. Acreditando tratar-se de uma cegueira contagiosa, o governo confina os cegos em uma quarentena que se mostra capaz de aflorar os instintos mais primitivos, o que torna a experiência desafiadora. Em meio a tantos cegos, uma única mulher permanece com a sua visão.
A história fala sobre empatia, sabedoria, a nossa essência e nos faz perceber que devemos ver além do que os nossos olhos enxergam.

Uma importante pergunta que o leitor deve se fazer é: o quão rápido seria eu atingido por essa cegueira?


Por Sarah Josuá, bolsista do PET.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PET INDICA - Os Diários de Sylvia Plath


Poetisa e ficcionista, Sylvia Plath foi um dos grandes nomes da literatura norte-americana do século XX. A vida da autora foi marcada por uma luta constante contra a depressão, que culminou em seu suicídio em fevereiro de 1963. Desde então, um mistério se estabeleceu em volta de Plath. Por meio de seus diários, é possível entrar em sua intimidade e descobrir como era a sua vivência em sociedade e entender um pouco do que acontecia com ela em seu interior: perdeu o pai aos oito anos; não tinha uma boa relação com a mãe; casou-se com um homem (Ted Hughes, poeta) que a traía constantemente; sofreu um aborto espontâneo; tinha dificuldades em publicar a sua obra, ao passo que via a do seu marido sendo editada e, além de tudo isso, carregava consigo o fardo de ser mulher numa sociedade que ditava, em virtude de seu gênero, regras e padrões não condizentes com suas reais ambições. Em seus diários, a autora não registrava apenas o seu dia a dia de forma impessoal, mas trazia poemas, anotações sobre enredos ou personagens que pretendia desenvolver, desenhos e reflexões que beiram a poesia. Fica a dica para quem se interessa em conhecer a vida daqueles que escrevem. Deixo alguns trechos do livro abaixo:

“Deus meu, isso é tudo, ricochetear pelo corredor de risos e lágrimas? De autoadoração e autorrepugnância? De glória e asco?”

“Consigo apenas debruçar-me invejosa na beirada e odiar, odiar, odiar os rapazes que podem esbanjar livremente o apetite sexual, sem receio, permanecendo íntegros, enquanto eu me arrasto de encontro em encontro ensopada de desejo, sempre insatisfeita. A coisa toda me enoja.”

“Como explicar a Bob que minha felicidade depende de arrancar um pedaço da minha vida, um fragmento de aflição e beleza, e transformá-lo em palavras ditalografadas numa página? Como ele poderia entender que justifico minha vida, minhas emoções ardentes, meu sentimento, ao passá-los para o papel?”

“Meu Deus, a vida é solidão, apesar de todos os opiáceos, apesar do falso brilho das ‘festas’ alegres sem propósito algum, apesar dos falsos semblantes sorridentes que todos ostentamos. [...] Sim, há alegria, realização e companheirismo - mas a solidão da alma, em sua autoconsciência medonha, é horrível e predominante -“

Lucas José de Mello Lopes, bolsista do PET.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

PET INDICA - Calibre 22


Neste novo livro de contos, Rubem Fonseca traz de volta um personagem marcante de sua trajetória literária, o detetive Mandrake, contratado para desvendar quem está por trás de uma série de assassinatos envolvendo o editor de uma famosa revista feminina. Além dessa, a coletânea reúne outras narrativas mais curtas, em que temas caros ao autor voltam à cena, entre eles a desigualdade social e suas consequências muitas vezes trágicas; a violência motivada por racismo, misoginia, homofobia e outros preconceitos.

- Kenzo Jobim

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

PET INDICA - Os Meninos da Rua Paulo


Para começar a série de dicas, a petiana Arthécia Rayane Ferreira traz a indicação do romance Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár.

A obra segue um grupo de garotos que formam um clube e o protegem de um clube rival. Contudo, a história vai muito além de uma disputa coletiva por territórios e vantagens: ela retrata valores individuais de cada um dos meninos, fazendo analogias brilhantes com o mundo em geral. É notável a beleza e a profunda sutileza com que o autor constrói toda a história ao ver a paixão que os meninos possuíam quando lutavam pelo que acreditavam, o valor que davam a seu mundo e o companheirismo que tinham uns pelos outros. Uma obra realmente emocionante!